Jornalismo de Dados

A credibilidade jornalística dos meios de comunicação tradicionais tem sido colocada em cheque com muita força nos últimos anos, principalmente com a eclosão de notícias falsas em redes sociais.

O principal expoente desse movimento é o jornalismo de dados, que vem promovendo mudanças importantes no processo de produção de informações e no seu consumo pelos usuários nos sites de notícias. Os recursos e ferramentas de Big Data e People Analytics estão sendo incorporados às redações dos jornais, permitindo o acesso a informações mais valiosas, confiáveis, completas e adaptadas ao dinamismo da leitura digital.

É importante salientar que o jornalismo de dados não substitui o tradicional, mas agrega valor a ele.

O jornalismo de dados apresenta duas finalidades importantes para as organizações de notícias: encontrar notícias exclusivas e manter viva a chama do jornalismo em seu papel de “guardião da sociedade”.

〉História

A importância do Estadão Dados

O termo em inglês “Data-driven Journalism” começou a ser utilizado em 2009 para designar as iniciativas de produção de notícias a partir de dados estruturados nos Estados Unidos, sendo adaptado aos diferentes idiomas nos anos seguintes.

a longa história do jornalismo já presenciou iniciativas e ações focadas em dados estatísticos, que subsidiaram a interpretação do leitor sobre o tema abordado.

O primeiro exemplo do qual se tem notícia vem do jornal norte-americano The New York´s Tribune que, em 1849, publicou na página de capa um gráfico completo e visualmente amigável sobre a epidemia de cólera que atingiu a cidade naquele ano.

Ainda que a medicina não tivesse avançado o suficiente para compreender as causas da enfermidade, a matéria do jornal alertou a população para a sua capacidade letal e a necessidade de mobilizar esforços para prevenir um número massivo de mortes.

O gráfico mostrava a proporção de mortes por cólera em relação ao número total de óbitos na cidade, evidenciando um problema municipal de grande interesse público.

Uma outra referência de jornais impressos que estavam à frente do seu tempo no uso de dados é o The Philadelphia Inquirer, ganhador de 17 prêmios Pulitzer entre 1975 e 1990.

No ano de sua primeira premiação, foi contratado um repórter dedicado a analisar exaustivamente os números do censo da cidade, gerando matérias a partir deles.

O surgimento da Internet foi, no entanto, o maior propulsor do jornalismo de dados no mundo, pois permitiu a formação de imensas bases de informação com fácil acesso e interpretação.

Ainda assim, boa parte do volume de dados gerados não era usada com intensidade pelos jornalistas até o fim da década de 2000, pela dificuldade dos profissionais em lidar com a complexidade das correlações estatísticas.

O problema diminuiu com o surgimento de ferramentas digitais que automatizaram a estruturação de dados.

Tendo em conta que a informação de qualidade é a principal matéria prima da investigação jornalística, é fundamental que ela venha de fontes confiáveis e que não sejam influenciadas por interesses comerciais ou ideológicos. E quem pode ser melhor que os números para garantir uma origem isenta para os fatos?

análise de dados permite conectar porções limitadas de informação sobre problemas e situações complexas e diversificadas, favorecendo que os conteúdos sejam mais completos e proponham uma assistência mais completa e eficiente à avaliação do leitor.

〉Diferenciais

  • Não são influenciáveis a interesses particulares (maior credibilidade);
  • Aumentam a qualidade das produções;
  • Evidências com base em dados e não em opiniões;
  • Transparência de produção (verificação);
  • Humanização por meio de um relato jornalístico de informações contidas em bases de dados cruas;
  • A visualização de dados ajuda a contar a história;
  • Potencializa o jornalismo investigativo.

Tendo em conta que a informação de qualidade é a principal matéria prima da investigação jornalística, é fundamental que ela venha de fontes confiáveis e que não sejam influenciadas por interesses comerciais ou ideológicos. E quem pode ser melhor que os números para garantir uma origem isenta para os fatos?

»  A Visualização de Dados

A premissa principal do jornalismo de dados é apresentar com facilidade e limpeza as informações numéricas relacionadas ao tema do conteúdo, permitindo que a avaliação do leitor seja embasada em estatísticas e não em suposições ou versões pessoais, que muitas vezes são distorcidas pelas fontes convencionais das entrevistas.

À medida que os dados se tornam mais centrais em nossas vidas pessoais e profissionais, a prática de visualização de dados se torna cada vez mais importante. A Data Visualization Society visa coletar e estabelecer as melhores práticas, promovendo uma comunidade que apóia os membros e profissionais à medida que crescem e desenvolvem habilidades de visualização de dados. 

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〉Caminhos de um Jornalista de Dados

> José Roberto de Toledo, jornalista da Revista Piauí, explica os primeiros passos para começar a trabalhar com jornalismo de dados.

Com o jornalismo de dados, a lógica se inverte. Em vez de se propor um tema de investigação e depois partir para a busca ativa das informações, os editores e repórteres mergulham nos acervos de dados coletados e identificam lacunas ou pontos de conexão que valem ser explorados com mais profundidade. Portanto, é a análise de dados que dá início ao processo de produção de notícias, ganhando um papel muito mais significativo.

Neste momento você pode estar se perguntando: mas como os jornalistas estão trabalhando tão bem com os números, mesmo sendo de humanas? Apesar de ser necessária uma capacidade analítica razoável para produzir notícias orientadas a dados, a resposta do sucesso está na série de ferramentas e recursos digitais que as empresas de comunicação têm sabido aproveitar para guiar suas iniciativas.

Ele representa a convergência de áreas diferentes que são independentes entre si – desde pesquisa investigativa e estatística, até design e programação. A ideia de combinar essas habilidades para contar histórias importantes é muito poderosa – mas também, muito intimidadora. Quem consegue fazer tudo isso?

Fonte: http://tutano.trampos.co/16858-como-ser-um-jornalista-de-dados/

Mergulhar em plataformas que já disponibilizam bastante conteúdo e também participar do ecossistema de tecnologia do estado pode ajudar a conhecer mais ferramentas, como o Python.

  1. O que muitos especialistas em jornalismo de dados ressaltam é que, antes de qualquer coisa, devemos lembrar que a finalidade é contar uma história. Levin destaca que construir algo primeiro é realmente uma ferramenta de aprendizagem mais valiosa – e mais divertida – que programar por programar. Comece com um projeto específico em mente e siga a partir dele.
  2. Comece pelo Básico: Embora os resultados sejam excitantes, o processo de programar não é. Felizmente, uma das ferramentas mais básicas do jornalismo de dados é a humilde planilha.  Especialistas entrevistados para o Manual de Jornalismo de dados regularmente citaram o Excel e o Google Spreadsheets como algumas das ferramentas mais utilizadas em suas atividades diárias.  Há muitas direções que pode seguir com seu projeto de dados sem a necessidade de escrever qualquer código. Google Fusion Tables permite mesclar duas planilhas ou arquivos CSV para visualizar dados em tabelas, gráficos e até mesmo mapas interativos. Embora ainda esteja em beta, o Google Fusion Tables é muito usado por grandes nomes como o Guardian Data Blog para suas visualizações.

»  Raspagem de Dados

“Raspagem de dados é como se chama o método para extrair os dados escondidos em documentos como páginas da web e PDFs e torná-los usáveis, possíveis de serem processados. A raspagem de dados é uma das habilidades mais úteis se você vai investigar dados, e na maioria da vezes não é algo muito difícil” Escola de Dados

  • Você também pode começar a explorar web scraping sem um profundo conhecimento de programação. Web scraping permite recolher informações a partir de sites com uma determinada quantidade de automação (em outras palavras, não ter que copiar / colar cada pequena coisa que você está procurando). ProPublica montou um Manual de Scraper que traz excelentes recursos para iniciantes que querem começar a raspar site e bancos de dados para obter informações para as suas histórias. Um web aplicativo livre para Chrome chamado Table Capture permite que você copie rapidamente tabelas de sites e cole-as em outra planilha. O Centro Knight também reuniu uma lista de ferramentas de raspagem de dados para “libertar” planilhas presas em arquivos PDF.
  • Ao trabalhar com várias planilhas, você já deve ter se deparado com um dos aspectos mais demorados do jornalismo de dados – limpar bases de dados bagunçadas. Google Refine é outro programa gratuito que unifica nomenclaturas de planilhas diferentes. ProPublica também mostra como usar o Refine para limpar seus bancos de dados.

〉Guias Importantes

💡 Que tipo de ferramentas estão disponíveis online para facilitar o trabalho com jornalismo de dados? Conheça algumas mencionadas por profissionais que já fazem uso das plataformas:

Debate Configurações |  Com o objetivo de gerar notícias, como o processo de bases de dados está sendo implantado no Brasil? A incorporação dessas técnicas no cotidiano das redações, com a função de facilitar o trabalho diário da reportagem, é eficiente?

〉O exemplo do The Guardian

O Guardian, um jornal fundado há quase 200 anos, agora tem um departamento de Desenvolvimento Digital com um punhado de pequenas equipes, implantando dezenas de vezes por dia e desenvolvendo abertamente, no GitHub.

Jornal nacional britânico, The Guardian usa dados abertos de uma maneira bastante interessante. Desde 2009, o jornal publica seus dados brutos para que os parceiros reutilizem por meio de uma API. Os parceiros têm acesso a todo o conteúdo que o The Guardian cria, o equivalente a mais de 1,5 milhão de artigos de notícias desde 1999. Isso permite que os usuários criem aplicativos externos em troca da veiculação de publicidade do Guardian;

Developing in the Open, Roberto Tyley – CodeConf 2015 | 25 de mai. de 2017

〉Iniciativas Referenciais no País

»  Fiquem Sabendo

A Fiquem Sabendo é uma agência de dados públicos independente e especializada na Lei de Acesso à Informação, que se propõe a revelar informações de interesse social que o poder público não divulga, por meio de uma linguagem clara, transparente e de fácil compreensão, séries estatísticas que permitam ao leitor compreender como os serviços públicos estão sendo prestados e de que forma o dinheiro do contribuinte está sendo gasto. Seus levantamentos já foram usados como fonte de mais de 100 reportagens publicadas na imprensa, nacional e regional, com base em dados publicados em sua newsletter especial gratuita, a “Don’t LAI to me” .

O Fiquem Sabendo também mantém um canal no Youtube, com vários videos explicando processos para obtenção de informações.

»  Gênero e Numero

A primeira plataforma brasileira que aborda questões de gênero a partir de dados.

»  Monitor da Violência

> Clara Velasco, do G1, esteve no ECOA PUC-Rio contando como os jornalistas de um dos maiores veículos de comunicação do país vem utilizando os dados para traçar o mapa da violência no Brasil.

https://g1.globo.com/monitor-da-violencia/noticia/2019/11/26/monitor-da-violencia-do-g1-vence-o-premio-claudio-weber-abramo-de-jornalismo-de-dados.ghtml

https://g1.globo.com/monitor-da-violencia/noticia/monitor-da-violencia-do-g1-vence-o-data-journalism-awards-na-categoria-escolha-do-publico.ghtml

»  Newsletter Brasil Real Oficial

A newsletter semanal e gratuita propõe-se a ser uma curadoria do que de mais importante foi publicado na parte normativa do Diário Oficial (a Seção 1, onde são publicados decretos, medidas provisórias, instruções normativas, portarias regulamentadoras, sanções e vetos de leis aprovadas pelo Congresso).

»  Painel Jornalismo de Dados

Portal de jornalismo independente da Região do Alto Tietê.

»  Atlas da Notícia

A iniciativa mapeia veículos que produzem conteúdos jornalísticos, com foco no jornalismo local, em todo o território brasileiro. O projeto é financiado pelo Facebook e realizado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor) em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e 22 escolas de jornalismo.  

62,6% dos municípios brasileiros não possuem veículos de jornalismo local, segundo dados do Atlas da Notícia. Nos 3.487 municípios apelidados de “desertos de notícias”, não existem veículos de comunicação de nenhum tipo, de modo que os residentes  têm acesso somente a informações provenientes de noticiários que cobrem acontecimentos de todo o país. Se já é preocupante que mais da metade do país não tenha acesso a notícias sobre o local onde mora, a pesquisa aponta, ainda, outro aspecto alarmante: os “quase desertos”. Essas cidades possuem no máximo dois veículos de comunicação, que representam 19,2% do total.

»  Diversas

〉Instituições de Fomento

»  Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI)

Em dezembro de 2002, cerca de 140 jornalistas reunidos no auditório Freitas Nobre, da Escola de Comunicações e Artes da USP, ergueram o braço e decidiram associar-se no que hoje se tornou a Abraji. Os objetivos inscritos no estatuto da associação permanecem os mesmos quinze anos mais tarde: o aprimoramento profissional dos jornalistas e a difusão dos conceitos e técnicas da reportagem investigativa.

Uma das formas mais eficientes de perseguir essas metas é a organização de congressos, seminários e cursos. Desde 2015, a Abraji estruturou uma central de cursos on-line que tem oferecido treinamentos em jornalismo de dados, uso de SQL, cobertura de educação, uso da Lei de Acesso a Informações, investigação de contratos públicos, leitura de balanços de empresas e outros.

Outra das missões da Abraji é a defesa do direito de acesso a informações públicas: desde 2003, a associação coordena o Fórum de Acesso, rede de 25 organizações cuja pressão foi fundamental para a redação e aprovação da Lei de Acesso a Informações em fins de 2011. Hoje, a Abraji trabalha em diferentes projetos para garantir que organismos em diferentes níveis e esferas de poder cumpram a legislação.

Finalmente, a defesa da liberdade de expressão, que está no DNA da Abraji, compõe o terceiro pilar de atuação nos últimos quinze anos, com oferecimento de cursos de segurança para jornalistas, elaboração de um guia para cobertura de protestos e o acompanhamento de casos de censura judicial e de violência contra jornalistas.

📽 A ABRAJI também mantém um canal no Youtube com registros de diversos eventos e cursos realizados, não deixe de conferir.

»  Centro Knight para o Jornalismo nas Américas

O Centro Knight para o Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas em Austin é um programa de extensão e capacitação profissional para jornalistas na América Latina e no Caribe. O Centro também ajudou a criar uma nova geração de organizações jornalísticas independentes, como a ABRAJI. Essas organizações têm desenvolvido programas de treinamento auto-sustentáveis com o objetivo de aumentar os níveis éticos e profissionais do jornalismo, contribuindo assim ao aprimoramento da liberdade de imprensa e da democracia no hemisfério.

»  Fórum Jornalismo de Dados

Essa é uma comunidade criada em agosto de 2019 para discutir assuntos relacionados ao jornalismo de dados no Brasil e no mundo. Desde dúvidas, sejam elas técnicas ou mais conceituais, exemplos inspiradores, discussões instigantes e ajudar a outras pessoas.

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